Como não estou escrevendo nada, compartilharei ao menos parte de minhas recentes leituras...
“Porque eu amo Jane, amo mesmo; eu a amo como as pessoas deveriam amar umas às outras, sacrificando-se nas coisas pequenas, coisas sem importância, assim como nas grandes, nas decisões importantes da vida. Além disso, ando baixando minhas defesas pessoais, sabe, a ponte levadiça que conduz ao meu ego. Ela está entrando em mim ao mesmo tempo em que estou entrando nela. Eu lhe permiti isso, permiti que visse a minha timidez, a vulnerabilidade no meu rosto quando fazemos amor. Parece meloso, não é? Babaquice, não acha? Mas é a verdade, o amor é isso, é gostar dessas idiotices cafonas, disputar juntos a maratona de babaquice e ir até a linha de chegada.”
quarta-feira, abril 28
terça-feira, março 16
porra, são paulo!
Há pouco tempo ouvi alguém falar de Will Self. Seu nome veio à tona em uma conversa de bar. Passada a ressaca do dia seguinte comecei a pesquisar sobre o cara na internet. Entre “lidas e vindas” sobre a vida e a obra do jornalista e escritor inglês de 48 anos, uma resenha sobre seu último livro, O livro de Dave, publicado em 2006 e recentemente traduzido para o português, me chamou a atenção. Self narra em seu livro a trajetória de Dave, um taxista londrino que atormentado pela ex-esposa e por todos os outros males do mundo moderno, escreve um livro glorificando uma nova ordem suprema: o Conhecimento dos taxistas. Todavia, Dave, em um momento de loucura, certamente por obra e graça de sua ex-mulher, que o havia proibido de ver o filho, enterra seu livro que, séculos mais tarde, após uma catástrofe ambiental que arrasa o planeta, é encontrado e transformado na obra sagrada de um povo escolhido, onde a “roda” é o símbolo supremo e seus sacerdotes são chamados de “motoristas”!
Mas o que realmente importa é que esta história é apenas o prefácio de uma outra história ainda mais esclarecedora sobre mentiras, verdades e dogmas contemporâneos.
Empolgado com a resenha do livro do Self e, aproveitando minha visita à capital brasileira da cultura, das enchentes e dos congestionamentos, segui em busca de um exemplar do recém publicado O Livro de Dave, cujo autor vem sendo apontado pela crítica especializada como um dos mais inovadores escritores contemporâneos. Enfim, não poderia existir melhor lugar para comprar um exemplar do livro se não São Paulo.
Subi ofegante a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, esperei o sinal e cruzei a Av. Paulista até a entrada principal da Fnac, espécie de livraria-papelaria-cafeteria-padaria-hospedaria onde, de acordo com informações, eu poderia encontrar o manuscrito do Novo Testamento, autografado por Mateus, Marcos e Lucas e dividido em até 12 x s/juros no cartão. Infelizmente, perdi a viagem, não tinham o livro disponível em estoque, pois este se encontrava abarrotado por um cem número de "livros que deram origem ao filme”, alguns poucos exemplares do Antigo Testamento autografados por Abraão e outras centenas de exemplares da enfadonha e pré-adolescente saga de Crepúsculo. Infelizmente é impossível entrar em uma dessas livrarias e não ser assediado quase que sexualmente pelos livros desta saga, que pulam da prateleira em cima de qualquer leitor em potencial.
Detive minha indignação, pois não seria essa multi-drug-megastore, símbolo contemporâneo da “cultura de consumo” que me faria desistir, e segui confiante para aquele que é reconhecidamente um, ou talvez quem sabe, o maior templo do “consumo cultural” paulistano: a Livraria da Cultura. Ao chegar ao templo, observando jovens, senhoras e crianças espalhados pela livraria, ávidos por livros, ávidos por conhecimento, confesso, fui arrebatado por uma esperança genuinamente brasileira e, sem esquecer de manter uma distância segura dos inúmeros exemplares da "saga maldita" espalhada pelas prateleiras, consultei o atendente mais próximo sobre a disponilidade de O Livro de Dave em seu estoque e...
Porra, São Paulo! Capital da Cultura? Porra, São Paulo! Já não bastava uma Rua Galvão Bueno no bairro da Liberdade não acho uma merda de exemplar da merda do livro do merda do Dave nessa merda de cidade? Porra, São Paulo!
p.s. Voltando despretensiosamente do trabalho em uma terça-feira chuvosa, adentrei no Shopping Nova América, localizado no pitoresco bairro carioca e suburbano de Del Castilho. Com a única intenção de esperar a chuva passar percorri os corredores de uma pequena livraria no interior do Shopping e eis que encontro, “enterrado” na última prateleira da última coluna, aquela próxima a porta de acesso restrito aos funcionários, o livro, O livro de Dave! Fui arrebatado por um orgulho genuinamente carioca!
Mas o que realmente importa é que esta história é apenas o prefácio de uma outra história ainda mais esclarecedora sobre mentiras, verdades e dogmas contemporâneos.
Empolgado com a resenha do livro do Self e, aproveitando minha visita à capital brasileira da cultura, das enchentes e dos congestionamentos, segui em busca de um exemplar do recém publicado O Livro de Dave, cujo autor vem sendo apontado pela crítica especializada como um dos mais inovadores escritores contemporâneos. Enfim, não poderia existir melhor lugar para comprar um exemplar do livro se não São Paulo.
Subi ofegante a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, esperei o sinal e cruzei a Av. Paulista até a entrada principal da Fnac, espécie de livraria-papelaria-cafeteria-padaria-hospedaria onde, de acordo com informações, eu poderia encontrar o manuscrito do Novo Testamento, autografado por Mateus, Marcos e Lucas e dividido em até 12 x s/juros no cartão. Infelizmente, perdi a viagem, não tinham o livro disponível em estoque, pois este se encontrava abarrotado por um cem número de "livros que deram origem ao filme”, alguns poucos exemplares do Antigo Testamento autografados por Abraão e outras centenas de exemplares da enfadonha e pré-adolescente saga de Crepúsculo. Infelizmente é impossível entrar em uma dessas livrarias e não ser assediado quase que sexualmente pelos livros desta saga, que pulam da prateleira em cima de qualquer leitor em potencial.
Detive minha indignação, pois não seria essa multi-drug-megastore, símbolo contemporâneo da “cultura de consumo” que me faria desistir, e segui confiante para aquele que é reconhecidamente um, ou talvez quem sabe, o maior templo do “consumo cultural” paulistano: a Livraria da Cultura. Ao chegar ao templo, observando jovens, senhoras e crianças espalhados pela livraria, ávidos por livros, ávidos por conhecimento, confesso, fui arrebatado por uma esperança genuinamente brasileira e, sem esquecer de manter uma distância segura dos inúmeros exemplares da "saga maldita" espalhada pelas prateleiras, consultei o atendente mais próximo sobre a disponilidade de O Livro de Dave em seu estoque e...
Porra, São Paulo! Capital da Cultura? Porra, São Paulo! Já não bastava uma Rua Galvão Bueno no bairro da Liberdade não acho uma merda de exemplar da merda do livro do merda do Dave nessa merda de cidade? Porra, São Paulo!
p.s. Voltando despretensiosamente do trabalho em uma terça-feira chuvosa, adentrei no Shopping Nova América, localizado no pitoresco bairro carioca e suburbano de Del Castilho. Com a única intenção de esperar a chuva passar percorri os corredores de uma pequena livraria no interior do Shopping e eis que encontro, “enterrado” na última prateleira da última coluna, aquela próxima a porta de acesso restrito aos funcionários, o livro, O livro de Dave! Fui arrebatado por um orgulho genuinamente carioca!
quinta-feira, março 11
malicious software
Definitivamente, não fui concebido para o trabalho, talvez tenha sido uma grave falha de programação ou, quem sabe, tenha sido infectado na infância por um malware, enfim, detesto acordar cedo, não sou afeito a idéia de ter um chefe, tenho uma imensa dificuldade em fingir estar trabalhando quando não estou disposto ou, simplesmente, de ressaca e, por final, tenho o mais desagradável dos defeitos desagradáveis que um homem pode ter: o péssimo hábito de pensar, algo absolutamente inaceitável para a economia e o “sistema de cotas” contemporâneo, sistema este que estabelece que não mais de 2% da população mundial pode pensar e, quando falamos de Terceiro Mundo, mais especificamente de América Latina, essa cota é ainda menor, pois somente 0,3% dos latinos têm a permissão de pensar e, daqueles que pensam, 98% devem se dedicar a atividades que mantenham a “balança exploracional” em equilíbrio, ou seja, entre essas importantes atividades destaca-se a atividade do criador de propagandas criativas que aumentam as vendas e, consequentemente, aumentam a produção e, consequentemente, aumentam o controle e a mongolização social e, consequentemente, sustentam tudo como está. Ainda vale ressaltar que apenas 2% dos 0,3% de todos os latinos do mundo que podem pensar têm a liberdade de pensar em cultura: arte, cinema, televisão. Não, televisão, não... arte, cinema e etc., sendo que todo o conjunto desses homens que podem pensar em cultura: arte, cinema e etc., ou seja, a totalidade desses homens tem a obrigatoriedade de adotar como modelo de pensador contemporâneo o visionário-filósofo-cineasta e criador de video games James Cameron e, obviamente, aceitar e enaltecer Avatar como um paradigma da boa arte, exemplo ímpar de nossa capacidade de realização e grandeza cultural. Mas como havia falado inicialmente, não fui realmente concebido para o trabalho. Há quase 2 anos sendo pago por inescrupulosos expropriadores de minha capacidade de criação e juventude, impedido de questionar, reclamar, escrever e principalmente pensar, seja pela falta de tempo entre o ônibus, o trabalho, o mercado e o sofá, ou pelas noites mal dormidas e as contas vencidas esperando o pagamento atrasado, percebo o fim de uma longa jornada chegar. Ainda não sei exatamente onde está a saída, mas o fim do túnel está perto, posso sentir a brisa quente e o cheiro de merda vindo de algum lugar.
quarta-feira, março 10
diário de uma vida a 3 – descrição do personagem C
Pobre, feio e sonhador... Ele acreditava poder mudar alguma coisa, mas começa a se dar por satisfeito em mudar de canal, sem precisar levantar do sofá, após um longo dia de trabalho. Entretanto, e apesar da resignação aparente, vez ou outra é acometido por uma esperança recalcitrante em mudar alguma coisa. Assemelha-se aos personagens A e B por defenderem o poder antidepressivo da cevada, e por acreditarem, piamente, que a neosaldina dará conta de todo resto.
quarta-feira, junho 24
diário de uma vida a 3 - descrição do personagem B
Rapaz franzino e de poucos pelos. Inapto a extravagâncias, não precisa de nada além de um adidas velho, acesso ilimitado a todo o tipo de pornografia disponível na internet, música, macarrão e molho pronto. Teme as lacraias com a mesma intensidade que teme os relacionamentos amorosos duradouros. Assemelha-se ao personagem C por sua “facilidade” de adaptação ao mundo do trabalho e visão economicamente empreendedora.
quinta-feira, junho 11
diário de uma vida a 3 - descrição do personagem A
Sofre de uma espécie de mau humor crônico. É um perito na arte da escamoteação de projetos arquitetônicos mal elaborados. Destaca-se dos demais personagens por sua acentuada protuberância abdominal. Costuma compensar a falta de sexo por barras e mais barras de toblerone. Assemelha-se ao personagem B pela inocente esperança de reconhecimento tardio de suas habilidades musicais.
terça-feira, maio 26
diário de uma vida a 3
Este diário não é um romance. Este diário não é um conto. Este diário não é uma peça teatral muito menos uma novela mexicana.
Este diário não espera chegar a lugar algum. Este diário não tem por objetivo descrever acontecimentos reais, na verdade, este diário nem sequer é um diário.
p.s. Todavia, pequenas verossimilhanças com a triste vida de 3 pobres coitados não poderão ser negadas...
Este diário não espera chegar a lugar algum. Este diário não tem por objetivo descrever acontecimentos reais, na verdade, este diário nem sequer é um diário.
p.s. Todavia, pequenas verossimilhanças com a triste vida de 3 pobres coitados não poderão ser negadas...
segunda-feira, maio 4
a semana severina de Gabeira
Nada como um dia após o outro para "desenferrujar" e voltar a postar algo de interessante nesse blog... Mesmo que esse algo não seja meu!
"Assim a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, ficará sem heróis. Na terra de ninguém chamada Congresso Nacional, a última bala perdida atingiu em cheio o neomoralista Fernando Gabeira (PV-RJ), porta-voz da indignação seletiva dos frequentadores dos calçadões da zona sul carioca e das ruas arborizadas de São Paulo. O deputado também cometeu o pecado venial do patrimonialismo e cedeu passagens pagas pelo Erário a parentes e amigos.
Preso à personagem (quem não se lembra do telecatch com um segurança do Congresso quando, ao lado do colega Raul Jungmann, o parlamentar tentou invadir a sessão que tratava da cassação do senador Renan Calheiros?), Gabeira não teve outra saída a não ser autoimolar-se em praça pública. Reconheceu o erro, declarou-se envergonhado e prometeu iniciar uma cruzada (Deus tenha piedade dos cruzados brasileiros) para moralizar o Parlamento. Recebeu, em troca, a condescendência que a mídia não tem dispensado a outros deputados e senadores que cometeram falhas tão ou menos graves.
Quem saboreou o gosto frio da vingança foi o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Em 2005, quando Severino elegeu-se presidente da Câmara, após uma articulação nos bastidores comandada por Fernando Henrique Cardoso, Gabeira fez um discurso à medida do intelecto do eleitor zona sul. “A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País”, bradou o parlamentar do PV. Hoje prefeito de João Alfredo, no interior de Pernambuco, Severino afirmou à revista eletrônica Terra Magazine: “A sociedade fica bajulando ele. Esta sociedade é que não está bem. Ele merecia o desprezo”."
p.s. Texto publicado na Revista Carta Capital - 29 de abril de 2009
"Assim a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, ficará sem heróis. Na terra de ninguém chamada Congresso Nacional, a última bala perdida atingiu em cheio o neomoralista Fernando Gabeira (PV-RJ), porta-voz da indignação seletiva dos frequentadores dos calçadões da zona sul carioca e das ruas arborizadas de São Paulo. O deputado também cometeu o pecado venial do patrimonialismo e cedeu passagens pagas pelo Erário a parentes e amigos.
Preso à personagem (quem não se lembra do telecatch com um segurança do Congresso quando, ao lado do colega Raul Jungmann, o parlamentar tentou invadir a sessão que tratava da cassação do senador Renan Calheiros?), Gabeira não teve outra saída a não ser autoimolar-se em praça pública. Reconheceu o erro, declarou-se envergonhado e prometeu iniciar uma cruzada (Deus tenha piedade dos cruzados brasileiros) para moralizar o Parlamento. Recebeu, em troca, a condescendência que a mídia não tem dispensado a outros deputados e senadores que cometeram falhas tão ou menos graves.
Quem saboreou o gosto frio da vingança foi o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Em 2005, quando Severino elegeu-se presidente da Câmara, após uma articulação nos bastidores comandada por Fernando Henrique Cardoso, Gabeira fez um discurso à medida do intelecto do eleitor zona sul. “A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País”, bradou o parlamentar do PV. Hoje prefeito de João Alfredo, no interior de Pernambuco, Severino afirmou à revista eletrônica Terra Magazine: “A sociedade fica bajulando ele. Esta sociedade é que não está bem. Ele merecia o desprezo”."
p.s. Texto publicado na Revista Carta Capital - 29 de abril de 2009
quarta-feira, fevereiro 18
sem título
Choque de ordem, choque elétrico, choque de realidade. Cheque sem fundos, fundilhos, regularização fundiária. Ponto final, ponto de fuga, ponto de ônibus. Pernas bonitas, permissiva, persuasiva, pernóstica. Reencontro, despedida, desmedida, despudorada. Pouco tempo pra escrever, muita coisa pra pensar, quase nada pra dizer.
sexta-feira, novembro 28
quem?
Quem precisa de prestações de carro? Quem precisa passar um final de semana relâmpago em Buenos Aires por 12 parcelas de 99 reais? Quem precisa de uma cadeira Charles Eames? Quem precisa freqüentar bons restaurantes e beber bons vinhos?
Só queria minha vida de volta: café com leite no copo de requeijão, sessões esporádicas de masturbação debaixo do edredon, conversas rotineiras e despretensiosas com meus amigos, compartilhando de vossas vidas sem sentido e procurando, sem sucesso, algum sentido pra minha.
O trabalho definitivamente escraviza o homem. Eu era feliz e não sabia, não ganhava dinheiro algum, mas também não gastava! Hoje não passo de um escravo do dinheiro, um escravo do relógio, obrigado a acordar cedo, cagar pela manhã sem a mínima vontade de cagar, tomar banho com vontade de chorar e, em seguida, dividir um ônibus que, pela fisionomia das pessoas, mais parece uma ante-sala do inferno.
Sinto falta da época em que tinha tempo para escrever besteiras, sair com meus amigos sem nenhum dinheiro no bolso e voltar bêbado pra casa, acordar sem perspectiva de algo a que me dedicar pelo resto do dia, pensar sobre isso durante longos 3 segundos e, serenamente, sorrir!
Só queria minha vida de volta: café com leite no copo de requeijão, sessões esporádicas de masturbação debaixo do edredon, conversas rotineiras e despretensiosas com meus amigos, compartilhando de vossas vidas sem sentido e procurando, sem sucesso, algum sentido pra minha.
O trabalho definitivamente escraviza o homem. Eu era feliz e não sabia, não ganhava dinheiro algum, mas também não gastava! Hoje não passo de um escravo do dinheiro, um escravo do relógio, obrigado a acordar cedo, cagar pela manhã sem a mínima vontade de cagar, tomar banho com vontade de chorar e, em seguida, dividir um ônibus que, pela fisionomia das pessoas, mais parece uma ante-sala do inferno.
Sinto falta da época em que tinha tempo para escrever besteiras, sair com meus amigos sem nenhum dinheiro no bolso e voltar bêbado pra casa, acordar sem perspectiva de algo a que me dedicar pelo resto do dia, pensar sobre isso durante longos 3 segundos e, serenamente, sorrir!
segunda-feira, outubro 27
o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio
por Charles Bukowski
O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.
Por que há tão poucas pessoas interessantes? Milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? Parece que seu único ato é a Violência. São bons nisso. Realmente florescem. Flores de merda, emporcalhando nossas chances. O problema é que tenho que continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser dar a descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles mesmos me causem horror. E horror é uma gentileza.
Mas eles pisoteiam a minha consciência com seu fracasso em áreas vitais. Por exemplo, todos os dias, volto do hipódromo apertando o rádio em diferentes estações, procurando música, música decente. Tudo é ruim, insípido, sem vida, sem melodia, indiferente. Mesmo assim, algumas dessas composições são vendidas aos milhões e seus criadores se consideram verdadeiros Artistas. É horrível, uma idiotice terrível entrando em jovens cabeças. Eles gostam disso. Cristo, dê merda a eles, e eles comem. Não conseguem discernir? Não conseguem ouvir? Não sentem a diluição, o mofo?
Não posso acreditar que não haja nada. Continuo tentando novas rádios. Meu carro tem menos de um ano, mas a tinta preta do botão que aperto já está totalmente gasta. Agora o botão está branco, marfim, olhando pra mim.
Bem, é, existe a música clássica. Tenho que me acostumar com isso. Mas sei que ela vai sempre estar lá pra mim. Escuto isso de três a quatro horas por noite. Mas ainda continuo procurando outro tipo de música. Só que não existe. Deveria existir. Isso me perturba. Escamotearam toda uma outra área. Pense em todas as pessoas vivas que nunca ouviram música decente. Não se admira que seus rostos estejam caindo, não se admira que matem sem pensar, não se admira que esteja faltando coração.
Bem, o que é que eu posso fazer? Nada.
Os filmes são tão ruins quanto a música. Você ouve ou lê a crítica. Um grande filme, dizem. E daí saio para ver o tal filme. E sento lá me sentindo um grande idiota, me sentindo roubado, enganado. Posso adivinhar a próxima cena antes de acontecer. E os motivos óbvios dos personagens, o que os move, o que desejam, o que é importante para eles é tão infantil e patético, tão enfadonho e grosseiro. As partes românticas são irritantes, velhas, bobagens preciosistas.
Acho que a maioria das pessoas vê filmes demais. E, com certeza, os críticos. Quando dizem que um filme é ótimo, querem dizer que é ótimo em relação aos outros filmes que viram. Perderam a visão geral. São martelados com cada vez mais filmes novos. Simplesmente não sabem, estão perdidos no meio daquilo. Esqueceram o que é realmente ruim, que é a maior parte do que assistem.
E não vamos falar em televisão.
E como escritor... será que sou um? Bem. Como escritor, é difícil ler o que os outros escrevem. Não me bate. Para começar, não sabem como colocar uma linha, um parágrafo. Só de olhar o texto impresso a distância já parece chato. E quando você realmente lê, é pior que chato. Não tem ritmo. Não tem nada de emocionante ou novo. Não tem jogo, fogo, gás. O que estão fazendo? Parece ser trabalho pesado. Não se admira que a maioria dos escritores diga que escrever é doloroso. Eu entendo isso.
Algumas vezes com meu texto, quando não foi extraordinário, tentei outras coisas. Derramei vinho nas páginas, acendi um fósforo e queimei buracos nelas. “O que você está FAZENDO aí? Sinto cheiro de fumaça!”
“Tudo bem, querida, está tudo bem...”
Uma vez, meu cesto de lixo pegou fogo e o levei correndo para a varanda e derramei cerveja nele.
Para eu escrever, gosto de assistir a lutas de boxe, ver como o jab é usado, o direto de direira, o gancho de esquerda, o uppercut, o counter punch. Gosto de vê-los lutar, sair da tela. Existe algo a ser aprendido, algo a ser aplicado à arte de escrever, à maneira de escrever. Só sobram páginas, e você pode queimá-las, se quiser.
Música clássica, charutos, o computador faz o texto dançar, gritar, rir. O pesadelo da vida também ajuda.
Todos os dias, quando entro no hipódromo, sei que estou mandando minhas horas à merda. Mas ainda tenho a noite. O que os outros escritores fazem? Ficam na frente do espelho examinando os lóbulos da orelha? E então escrevem sobre eles. Ou sobre suas mães. Ou como salvar o mundo. Bem, podiam me poupar não escrevendo esse troço chato. Essa bobagem sem energia e murcha. Pare! Pare! Pare! Preciso ler alguma coisa. Será que não há nada para ler? Acho que não. Se você achar, me conte. Não, não faça isso. Eu sei: você escreveu. Esquece. Vai dar uma cagada.
Lembro de uma carta longa e furiosa que recebi um dia de um cara que me disse que eu não tinha o direito de dizer que não gostava de Shakespeare. Muitos jovens iam acreditar em mim e não se dariam ao trabalho de ler Shakespeare. Eu não tinha o direito de tomar essa posição. E assim por diante. Não respondi na época. Mas vou responder agora.
Vá se foder, colega. E eu não gosto também de Tolstói!
terça-feira, setembro 30
architecture as spectacle
From a place of socialization and facing differences, the contemporary cities turned into artificial spaces of a controlled public life, gigantic sceneries of architectural forms and publicity images who celebrate, with enthusiasm, the attribution of aesthetic value to the heterogeneous, the great importance of the appearance and the glorification of the symbolic in a sort of daily life’s dramatization. Understanding that architecture had direct and fundamental influence in the transformations that the world, and more specifically the cities, were subjected along the 20th Century, this work can be summarized as a short analysis of the architectural production as a social isolation, control and fragmentation planned spectacle, built with the intention of obstructing the communication, neutralizing the conflicts and leading human life to the logic of passivity and contemplation, of alienated production and consumption of goods and meaningless images. This analysis was carried out with the comprehension that the spectacle is not treated as a fundamentally contemporary phenomenon and that all architecture produced from modern movement’s vanguard up to postmodernism, besides not carrying out opposition – concerning to the “Architecture of the Spectacle” – complement themselves. This way, this work was built from a clear definition of The Concept of Spectacle, Chapter 2; followed by a concise and objective presentation of its intrinsic characteristics, pointing three different historical moments of the 20th Century’s architectural production, which are Architecture as Spectacle in Modern Movement, Chapter 3.1; In the totalitarian regimes, Chapter 3.2; and In Post-modernism, Chapter 3.3. Final Considerations and Bibliographical References can be found in Chapters 4 and 5.This summary in english is dedicated to my international fans!
LOL!
I thank Julia Maia for the translation!
LOL!
I thank Julia Maia for the translation!
sábado, setembro 27
arquitetura como espetáculo
De um lugar de convívio e enfrentamento das diferenças, as cidades contemporâneas foram transformadas em espaços artificiais de uma vida pública dirigida e encenada, gigantescos cenários de formas arquitetônicas e imagens publicitárias que celebram, com entusiasmo, a estetização do heterogêneo, a valorização da aparência e a glorificação do simbólico em uma espécie de teatralização da vida cotidiana. Fruto do entendimento de que a arquitetura tem direta e fundamental influência nas transformações pelas quais o mundo, e mais especificamente as cidades, foram submetidas ao longo do século XX, este trabalho pode ser resumido como uma breve análise da produção da arquitetura como um espetáculo programado de isolamento, controle e fragmentação sociais, construído com o intuito de impedir a comunicação, neutralizar os conflitos e direcionar toda a vida humana à lógica da passividade e da contemplação, da produção e do consumo alienados de mercadorias e imagens esvaziadas de significado. Esta análise foi realizada a partir da consciência de que o espetáculo não se trata de um fenômeno fundamentalmente contemporâneo e que, guardadas as devidas proporções, toda a arquitetura produzida desde as vanguardas do movimento moderno até o pós-modernismo mais caricato e historicista, além de não realizar oposição uma à outra – no que diz respeito à produção da Arquitetura como Espetáculo – se complementa. Desse modo, o trabalho foi construído a partir de uma clara definição de O Conceito de Espetáculo, Capítulo 2; para que em seguida fossem apresentadas, de forma concisa e objetiva, as características intrínsecas ao espetáculo em três momentos históricos distintos da produção arquitetônica do século XX, ou seja, a Arquitetura como Espetáculo No movimento moderno, Capítulo 3.1; Nos regimes totalitários, Capítulo 3.2; e No pós-modernismo, Capítulo 3.3. Nos Capítulos 4 e 5, respectivamente, foram dispostas as Considerações Finais e as Referências Bibliográficas.Resumo da minha Dissertação de Mestrado. Enfim, consegui parir a criança!
quarta-feira, setembro 24
cabelito investment bank & co
Devido à falência de alguns dos maiores bancos de investimento do mundo e a confirmação de que economistas não sabem nada de economia, resolvi fundar a Cabelito Investment Bank & Co.
Também não entendo porra nenhuma de economia, mas como entendo um pouquinho mais de Brasil do que o Lehman Brothers, Merrill Lynch, AIG, etc... Resolvi assumir a função de indicador econômico do RISCO BRASIL!
Durante minha reflexão-vaso-sanitarista-matinal avaliei que o risco Brasil está em torno de 212 pontos. Não vejo motivo para pânico, nossa economia está fortalecida, tivemos um superávit primário de mais de 18 bilhões de dólares nas primeiras 3 semanas do mês de setembro, valor 12% inferior ao mesmo período do ano passado, mas nada que não seja absolutamente contornável no mês de outubro, afinal, dia 12 é dia das crianças e o comércio certamente será re-aquecido pela venda de barbies, legos, e outras bugigangas desse tipo!
Vale ressaltar que as ações da Companhia Moita 3D Ltda se apresenta como um excelente investimento a curto, médio e longo prazo e, obviamente, não estou recebendo ($) nada pela indicação, muito menos sou parente de algum sócio dessa empresa!
Sem mais para o momento,
Cabelito
Presidente da Cabelito Investment Bank & Co
Também não entendo porra nenhuma de economia, mas como entendo um pouquinho mais de Brasil do que o Lehman Brothers, Merrill Lynch, AIG, etc... Resolvi assumir a função de indicador econômico do RISCO BRASIL!
Durante minha reflexão-vaso-sanitarista-matinal avaliei que o risco Brasil está em torno de 212 pontos. Não vejo motivo para pânico, nossa economia está fortalecida, tivemos um superávit primário de mais de 18 bilhões de dólares nas primeiras 3 semanas do mês de setembro, valor 12% inferior ao mesmo período do ano passado, mas nada que não seja absolutamente contornável no mês de outubro, afinal, dia 12 é dia das crianças e o comércio certamente será re-aquecido pela venda de barbies, legos, e outras bugigangas desse tipo!
Vale ressaltar que as ações da Companhia Moita 3D Ltda se apresenta como um excelente investimento a curto, médio e longo prazo e, obviamente, não estou recebendo ($) nada pela indicação, muito menos sou parente de algum sócio dessa empresa!
Sem mais para o momento,
Cabelito
Presidente da Cabelito Investment Bank & Co
quinta-feira, julho 31
de licença
Acabo de tirar uma licença... Uma licença remunerada de minha vida dedicada ao ócio criativo e aos prazeres mundanos! Infelizmente, fraquejei... Resisti o quanto pude, mas sucumbi diante a constante pressão exercida por essa sociedade obcecada pelo trabalho, pela novela das oito e pelas mulheres com nome de fruta!Não “deixo (ess)a vida para entrar na história”, como o gorducho do Getúlio Vargas, mas deixo-a como os judeus hospedados em Auschwitz... Convicto de que “o trabalho liberta”!
sexta-feira, julho 4
lei seca
Não bastasse terem criado o vírus da AIDS para impedir que copulássemos livremente e sodomizássemos uns aos outro sempre que nos fosse conveniente, implementaram agora no Brasil uma lei de tolerância zero à combinação álcool e direção, ou seja, quem tiver ingerido uma gota de álcool sequer, terá seu carro apreendido, sua habilitação suspensa por 1 ano e receberá uma multa de R$ 950,00. Quem tiver bebido um pouco além da conta (isso mesmo, daquele jeito que você volta dirigindo toda sexta-feira pra casa) ainda terá o privilégio de conhecer de pertinho, em seu íntimo, o sensacional sistema prisional brasileiro!
Obviamente não sou um louco a fazer apologia à "dobradinha" bebida e direção, mas fico surpreso com a quantidade de “caras de pau”, comportando-se como santos, e declarando total apoio a lei. Todo mundo sabe que existem dois tipos de motoristas, os que bebem e os que não bebem, os que bebem, ao beber, não deixam de dirigir! E os que não bebem, não bebem, logo, não dirigem bêbados, dirigem somente sob o efeito de maconha, cocaína, ecstasy, chá de cogumelo, chá de fita, LSD, lança perfume, raxixe, enfim, qualquer merda que dê onda e não seja detectado pelo bafômetro (quem curte uma onda de bombom de licor, melhor partir pra outra! Ah, e trocar o bombom por Listerine é furada)! É verdade que muitas pessoas não bebem e não usam drogas de tipo algum, estejam elas dirigindo ou não, mas se eu fosse você, e se uma pessoa com essas características fosse meu candidato a genro ou algo parecido, eu ficaria desconfiado, mandaria investigar o rapaz...
Mas vamos ao que interessa. Ouvi o relato de um amigo, que depois de sair de casa para um bar e voltar dirigindo sem ingerir uma gota de álcool (o que não fazia há tempos), pôde perceber como o Rio de Janeiro anda carente de ordem: flanelinhas extorquindo dinheiro nas calçadas, mulheres de "vida fácil" vendendo sexo nas esquinas, crianças vendendo balas em mesas de bar, policiais corruptos sendo subornados por cidadãos corruptores... Passado o martírio de um retorno sóbrio para casa, apavorado e transtornado com a bizarra realidade que o álcool e direção impediam-no de enxergar, começou a perceber que a sua vida fazia menos sentido do que todos os nomes esquisitos das Igrejas Evangélicas que se proliferam pela cidade, lidos em seqüência e ininterruptamente...
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação para Cristo Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará Bola de Neve Church Igreja Caverna de Adulão Igreja Evangélica Abominação à Vida Torta Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade Igreja Cristo é Show!
Teve uma crise de choro. Lembrou que a bebida alcoólica também estava proibida nos estádios de futebol, e sem o álcool, aquela derrota nos pênaltis na final da Libertadores havia sido ainda mais amarga. Foi então que, consumido pela raiva, destruiu a pontapés todo o seu móvel de cozinha Bartira, comprado em 24 vezes sem juros nas Casas Bahia e, por fim, “sentou” a mão na cara da pobre da Roseli, sua empregada estrábica e reumática. Vida de merda que o álcool e a direção o impediram por longos anos de enxergar, mas que estava convicto, não iria permitir que continuasse. Como o insano japonês em Tóquio, estava decidido a atropelar todo e qualquer filho da puta que passasse na sua frente, em seguida, esfaquearia aqueles que insistissem em permanecer de pé e, por final, cometeria um harakiri!
Mas por acreditar que teria em mim um comparsa para a sua carnificina, me confidenciou suas intenções e, felizmente, consegui persuadi-lo a desistir de tamanha insanidade. Agora, juntos, faremos algo ainda mais grandioso! Tal qual Alphonse Capone durante a Lei Seca norte-americana, ficaremos ricos, mas obviamente, fazendo tudo dentro da lei. Lançaremos em agosto, em parceria com a Apple, o nosso personal bafômetro (já devidamente patenteado) que, entre outras coisas, funcionará como celular, terá acesso a internet e um GPS de última geração que localiza todas as blitz da polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária, além das blitz das Milícias e das organizações criminosas do 3º Comando, do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos em um raio de 400 quilômetros!
p.s. O menor dos problemas é a lei, difícil é aturar mais e mais hipocrisia!
Obviamente não sou um louco a fazer apologia à "dobradinha" bebida e direção, mas fico surpreso com a quantidade de “caras de pau”, comportando-se como santos, e declarando total apoio a lei. Todo mundo sabe que existem dois tipos de motoristas, os que bebem e os que não bebem, os que bebem, ao beber, não deixam de dirigir! E os que não bebem, não bebem, logo, não dirigem bêbados, dirigem somente sob o efeito de maconha, cocaína, ecstasy, chá de cogumelo, chá de fita, LSD, lança perfume, raxixe, enfim, qualquer merda que dê onda e não seja detectado pelo bafômetro (quem curte uma onda de bombom de licor, melhor partir pra outra! Ah, e trocar o bombom por Listerine é furada)! É verdade que muitas pessoas não bebem e não usam drogas de tipo algum, estejam elas dirigindo ou não, mas se eu fosse você, e se uma pessoa com essas características fosse meu candidato a genro ou algo parecido, eu ficaria desconfiado, mandaria investigar o rapaz...
Mas vamos ao que interessa. Ouvi o relato de um amigo, que depois de sair de casa para um bar e voltar dirigindo sem ingerir uma gota de álcool (o que não fazia há tempos), pôde perceber como o Rio de Janeiro anda carente de ordem: flanelinhas extorquindo dinheiro nas calçadas, mulheres de "vida fácil" vendendo sexo nas esquinas, crianças vendendo balas em mesas de bar, policiais corruptos sendo subornados por cidadãos corruptores... Passado o martírio de um retorno sóbrio para casa, apavorado e transtornado com a bizarra realidade que o álcool e direção impediam-no de enxergar, começou a perceber que a sua vida fazia menos sentido do que todos os nomes esquisitos das Igrejas Evangélicas que se proliferam pela cidade, lidos em seqüência e ininterruptamente...
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação para Cristo Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará Bola de Neve Church Igreja Caverna de Adulão Igreja Evangélica Abominação à Vida Torta Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade Igreja Cristo é Show!
Teve uma crise de choro. Lembrou que a bebida alcoólica também estava proibida nos estádios de futebol, e sem o álcool, aquela derrota nos pênaltis na final da Libertadores havia sido ainda mais amarga. Foi então que, consumido pela raiva, destruiu a pontapés todo o seu móvel de cozinha Bartira, comprado em 24 vezes sem juros nas Casas Bahia e, por fim, “sentou” a mão na cara da pobre da Roseli, sua empregada estrábica e reumática. Vida de merda que o álcool e a direção o impediram por longos anos de enxergar, mas que estava convicto, não iria permitir que continuasse. Como o insano japonês em Tóquio, estava decidido a atropelar todo e qualquer filho da puta que passasse na sua frente, em seguida, esfaquearia aqueles que insistissem em permanecer de pé e, por final, cometeria um harakiri!
Mas por acreditar que teria em mim um comparsa para a sua carnificina, me confidenciou suas intenções e, felizmente, consegui persuadi-lo a desistir de tamanha insanidade. Agora, juntos, faremos algo ainda mais grandioso! Tal qual Alphonse Capone durante a Lei Seca norte-americana, ficaremos ricos, mas obviamente, fazendo tudo dentro da lei. Lançaremos em agosto, em parceria com a Apple, o nosso personal bafômetro (já devidamente patenteado) que, entre outras coisas, funcionará como celular, terá acesso a internet e um GPS de última geração que localiza todas as blitz da polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária, além das blitz das Milícias e das organizações criminosas do 3º Comando, do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos em um raio de 400 quilômetros!
p.s. O menor dos problemas é a lei, difícil é aturar mais e mais hipocrisia!
quinta-feira, junho 5
questão de tempo
Ela o fazia acreditar que ninguém poderia ser mais perfeito, jurava nunca ter sentido nada parecido [seu corpo ao menos denunciava que ninguém jamais havia lhe chupado daquela maneira!]. Não conseguia acreditar em tudo aquilo que estava acontecendo, e por conta disso, trazia consigo a insegurança característica dos que têm muito a perder [ligava pro celular dele de 2 em 2 horas, diuturnamente, e não entendia sua opção por jogar bola, beber cerveja e comer churrasco toda quarta-feira ao invés de desfrutar de sua companhia!]. Ela acreditava, piamente, estar construindo um relacionamento sólido e duradouro [ignorava por completo a existência do sociólogo polonês Zygmunt Bauman e sua tese sobre a liquidez das relações contemporâneas!], e oferecia-lhe seu amor de forma sincera e incondicional, desejando apenas que ele o correspondesse [através do cumprimento régio de algumas regras básicas previamente estabelecidas por ela... falar a todo o momento que ela é linda e que ele a ama, acompanhá-la em sua maratona semanal ao shopping sem tirar o sorriso do rosto, nunca esquecer de reparar (e elogiar) seus cortes rotineiros de ½ centímetro de cabelo, entre outras exigências igualmente estapafúrdias!]. A insegurança e a juventude ainda impediam-lhe de reconhecer as pequenas sutilezas masculinas utilizadas para expressar seus sentimentos mais ternos [surra de pau mole, duas sem tirar de dentro, cabeçada no céu da boca!], assim como compreender as artimanhas necessárias para se construir uma consistente relação a dois [TV a cabo, surdez congênita, hora extra, rivotril, memória seletiva, etc, etc, etc!]. Nada que o tempo não a ensinasse!
terça-feira, maio 6
o jogo do contente
Todo dia ele fazia a mesma coisa. Acordava pontualmente às 7:00. Tomava banho de porta aberta e sempre se esquecia de pegar a toalha. Um café rápido, ninguém pra se despedir e já estava fora de casa. No caminho, como que inconscientemente, tentava se convencer de que gostava daquilo. Tentava acreditar que era importante e que no fundo era um cara feliz. O resto da manhã transcorreu sem sobressaltos. Ao meio-dia no restaurante a quilo sentou-se no lugar de sempre, foi atendido pelo garçom de sempre e saudado com a mesma pergunta de todos os dias. “Coca com gelo e limão?” Nos últimos 2 anos almoçou no mesmo restaurante, sentado no mesmo lugar, e sempre dava a mesma resposta. “Sem limão, por favor.” Por dentro tinha vontade de dar uma garrafada no filho da puta do garçom, mas sempre o respondia, no mesmo e plácido tom de voz. Durante o almoço, tentava se convencer de que a comida do restaurante a quilo em que comia todos os dias tinha certa qualidade, e que era um cara privilegiado por poder se dar ao luxo de freqüentar um restaurante, afinal, quantas pessoas que passam fome não fariam de tudo para estar em seu lugar repetindo diariamente a mesma frase: “Sem limão, por favor.”? O resto da tarde também transcorreu sem alvoroço. Terminado o expediente, todos permaneceram no escritório, torcendo para que alguém tivesse a coragem de voltar pra casa primeiro, afinal, o patrão não via com bons olhos o funcionário que cumpria pontualmente o seu horário. Demonstrar obsessão pelo trabalho e disponibilidade em fazer horas extras não-remuneradas era característica essencial de um funcionário padrão. Mas ele tentava se convencer de que àquelas horas extras seriam muito importantes pra sua carreira e ascensão profissional. Estava confiante que mais cedo ou mais tarde seu patrão reconheceria sua dedicação e não mais confundiria seu primeiro nome, afinal, só estava na empresa há 5 anos, ainda não dera tempo do patrão guardar um nome tão incomum como o seu: João. Finalmente, estava de volta ao lar. Comida congelada no microondas, futebol na televisão e ninguém pra conversar, contar sobre seu dia excitante ou ouvir reclamações. Mas ele não se abalava com a solidão, tentava pensar que amanhã seria outro dia e que deveria agradecer por estar vivo e com saúde, por ter um teto onde se abrigar e onde abrigar um freezer cheio de comida congelada. Insistia em acreditar que era um cara feliz, com um bom emprego, um excelente combo de TV por assinatura + internet banda larga e toda uma vida de alegrias pela frente.
segunda-feira, abril 28
o mais importante é o mais oculto
Tem tempo que eu não escrevo nada que preste aqui [como se alguma vez tivesse escrito algo que prestasse], mas é aquilo, falta de tempo, muito trabalho e muito dinheiro no bolso... Resultado? Quando não estou trabalhando estou gastando com bebidas, drogas e mulheres! Mas é aquilo, sempre acontece algo de novo para me tirar dessa difícil rotina!
Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo a garimpar notícias sobre educação, economia, política e saúde pela internet, infelizmente, as dificuldades encontradas são enormes. Os meios de comunicação, 100% dedicados ao caso Isabella Nardoni, esqueceram do flamengo [a letra minúscula é proposital], da dança do créu, da mulher melancia, e por mais incrível que possa parecer, esqueceram até do mosquito da dengue! Imaginem se alguém se lembraria de fazer uma matéria sobre o cancelamento do aumento das bolsas de mestrado e doutorado, aumento esse anunciado pelo governo e revogado em virtude da não-aprovação da CPMF! Imaginem! Claro que não lembrariam! Nossos jornalistas têm tarefas mais importantes a fazer, como...
Entrevistar psiquiatras que traçaram o perfil psicológico do “adevogado” e desconhecedor da gramática da língua portuguesa [mais precisamente do capítulo que trata da concordância verbal], o Dr. Alexandre Nardoni, assim como... Entrevistar velhinhas insanas que viajaram 400 quilômetros para juntamente com um exército de jornalistas e cidadãos desocupados fazer guarda, em turnos coletivos de 24 horas, em frente ao 9º Distrito Policial do Carandiru, como se esperassem do delegado, devoto de São Cosme e São Damião, a distribuição de centenas de doces em saquinhos!
Como diria um velho amigo meu: “O espetáculo organiza com habilidade a ignorância do que acontece e, logo a seguir, o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. O mais importante é o mais oculto."
p.s. Como eu queria morar ao lado do 9º Distrito Policial do Carandiru, só pra ter o prazer de arremessar ovo podre e porrolho [aquela maçaroca de papel higiênico molhado] em toda essa gente de curiosidade mórbida. A parte ruim seria morar em São Paulo, e relativamente perto da Lívia Maria.
Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo a garimpar notícias sobre educação, economia, política e saúde pela internet, infelizmente, as dificuldades encontradas são enormes. Os meios de comunicação, 100% dedicados ao caso Isabella Nardoni, esqueceram do flamengo [a letra minúscula é proposital], da dança do créu, da mulher melancia, e por mais incrível que possa parecer, esqueceram até do mosquito da dengue! Imaginem se alguém se lembraria de fazer uma matéria sobre o cancelamento do aumento das bolsas de mestrado e doutorado, aumento esse anunciado pelo governo e revogado em virtude da não-aprovação da CPMF! Imaginem! Claro que não lembrariam! Nossos jornalistas têm tarefas mais importantes a fazer, como...
Entrevistar psiquiatras que traçaram o perfil psicológico do “adevogado” e desconhecedor da gramática da língua portuguesa [mais precisamente do capítulo que trata da concordância verbal], o Dr. Alexandre Nardoni, assim como... Entrevistar velhinhas insanas que viajaram 400 quilômetros para juntamente com um exército de jornalistas e cidadãos desocupados fazer guarda, em turnos coletivos de 24 horas, em frente ao 9º Distrito Policial do Carandiru, como se esperassem do delegado, devoto de São Cosme e São Damião, a distribuição de centenas de doces em saquinhos!
Como diria um velho amigo meu: “O espetáculo organiza com habilidade a ignorância do que acontece e, logo a seguir, o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. O mais importante é o mais oculto."
p.s. Como eu queria morar ao lado do 9º Distrito Policial do Carandiru, só pra ter o prazer de arremessar ovo podre e porrolho [aquela maçaroca de papel higiênico molhado] em toda essa gente de curiosidade mórbida. A parte ruim seria morar em São Paulo, e relativamente perto da Lívia Maria.
quinta-feira, abril 3
imposturas intelectuais
O Orkut não é só cultura inútil e canal cibernético de invasão e contemplação da intimidade alheia, às vezes nos apresenta algo de interessante. A última pérola foi a comunidade Imposturas Intelectuais, homenagem ao livro homônimo dos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont.
Impossível não ter a curiosidade despertada pela descrição da comunidade! Ainda não adquiri o livro, mas recomendo, deve ser no mínimo engraçado!
Descrição da comunidade:
"Se você não compreende de jeito nenhum textos como:
Podemos ver claramente que não há nenhuma correspondência biunívoca entre relações significantes lineares ou de arquiestrutura, dependendo do autor, e essa catálise maquínica multirreferencial e multidimensional.
Não se preocupe nem se ache um imbecil. Ninguém entende, embora alguns façam de conta. Citações como esta, do psicanalista Félix Guattari, que são nada mais que um amontoado de palavras rebuscadas, cheio de jargões científicos, pseudocientíficos e filosóficos, foram desmontadas, e seus autores desmascarados pelos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont em seu livro Imposturas Intelectuais."
Agora que me inspirei em Guattari, deixa eu voltar pra minha Dissertação de Mestrado!
Impossível não ter a curiosidade despertada pela descrição da comunidade! Ainda não adquiri o livro, mas recomendo, deve ser no mínimo engraçado!
Descrição da comunidade:
"Se você não compreende de jeito nenhum textos como:
Podemos ver claramente que não há nenhuma correspondência biunívoca entre relações significantes lineares ou de arquiestrutura, dependendo do autor, e essa catálise maquínica multirreferencial e multidimensional.
Não se preocupe nem se ache um imbecil. Ninguém entende, embora alguns façam de conta. Citações como esta, do psicanalista Félix Guattari, que são nada mais que um amontoado de palavras rebuscadas, cheio de jargões científicos, pseudocientíficos e filosóficos, foram desmontadas, e seus autores desmascarados pelos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont em seu livro Imposturas Intelectuais."
Agora que me inspirei em Guattari, deixa eu voltar pra minha Dissertação de Mestrado!
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