Este diário não é um romance. Este diário não é um conto. Este diário não é uma peça teatral muito menos uma novela mexicana.
Este diário não espera chegar a lugar algum. Este diário não tem por objetivo descrever acontecimentos reais, na verdade, este diário nem sequer é um diário.
p.s. Todavia, pequenas verossimilhanças com a triste vida de 3 pobres coitados não poderão ser negadas...
terça-feira, maio 26
segunda-feira, maio 4
a semana severina de Gabeira
Nada como um dia após o outro para "desenferrujar" e voltar a postar algo de interessante nesse blog... Mesmo que esse algo não seja meu!
"Assim a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, ficará sem heróis. Na terra de ninguém chamada Congresso Nacional, a última bala perdida atingiu em cheio o neomoralista Fernando Gabeira (PV-RJ), porta-voz da indignação seletiva dos frequentadores dos calçadões da zona sul carioca e das ruas arborizadas de São Paulo. O deputado também cometeu o pecado venial do patrimonialismo e cedeu passagens pagas pelo Erário a parentes e amigos.
Preso à personagem (quem não se lembra do telecatch com um segurança do Congresso quando, ao lado do colega Raul Jungmann, o parlamentar tentou invadir a sessão que tratava da cassação do senador Renan Calheiros?), Gabeira não teve outra saída a não ser autoimolar-se em praça pública. Reconheceu o erro, declarou-se envergonhado e prometeu iniciar uma cruzada (Deus tenha piedade dos cruzados brasileiros) para moralizar o Parlamento. Recebeu, em troca, a condescendência que a mídia não tem dispensado a outros deputados e senadores que cometeram falhas tão ou menos graves.
Quem saboreou o gosto frio da vingança foi o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Em 2005, quando Severino elegeu-se presidente da Câmara, após uma articulação nos bastidores comandada por Fernando Henrique Cardoso, Gabeira fez um discurso à medida do intelecto do eleitor zona sul. “A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País”, bradou o parlamentar do PV. Hoje prefeito de João Alfredo, no interior de Pernambuco, Severino afirmou à revista eletrônica Terra Magazine: “A sociedade fica bajulando ele. Esta sociedade é que não está bem. Ele merecia o desprezo”."
p.s. Texto publicado na Revista Carta Capital - 29 de abril de 2009
"Assim a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, ficará sem heróis. Na terra de ninguém chamada Congresso Nacional, a última bala perdida atingiu em cheio o neomoralista Fernando Gabeira (PV-RJ), porta-voz da indignação seletiva dos frequentadores dos calçadões da zona sul carioca e das ruas arborizadas de São Paulo. O deputado também cometeu o pecado venial do patrimonialismo e cedeu passagens pagas pelo Erário a parentes e amigos.
Preso à personagem (quem não se lembra do telecatch com um segurança do Congresso quando, ao lado do colega Raul Jungmann, o parlamentar tentou invadir a sessão que tratava da cassação do senador Renan Calheiros?), Gabeira não teve outra saída a não ser autoimolar-se em praça pública. Reconheceu o erro, declarou-se envergonhado e prometeu iniciar uma cruzada (Deus tenha piedade dos cruzados brasileiros) para moralizar o Parlamento. Recebeu, em troca, a condescendência que a mídia não tem dispensado a outros deputados e senadores que cometeram falhas tão ou menos graves.
Quem saboreou o gosto frio da vingança foi o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Em 2005, quando Severino elegeu-se presidente da Câmara, após uma articulação nos bastidores comandada por Fernando Henrique Cardoso, Gabeira fez um discurso à medida do intelecto do eleitor zona sul. “A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País”, bradou o parlamentar do PV. Hoje prefeito de João Alfredo, no interior de Pernambuco, Severino afirmou à revista eletrônica Terra Magazine: “A sociedade fica bajulando ele. Esta sociedade é que não está bem. Ele merecia o desprezo”."
p.s. Texto publicado na Revista Carta Capital - 29 de abril de 2009
quarta-feira, fevereiro 18
sem título
Choque de ordem, choque elétrico, choque de realidade. Cheque sem fundos, fundilhos, regularização fundiária. Ponto final, ponto de fuga, ponto de ônibus. Pernas bonitas, permissiva, persuasiva, pernóstica. Reencontro, despedida, desmedida, despudorada. Pouco tempo pra escrever, muita coisa pra pensar, quase nada pra dizer.
sexta-feira, novembro 28
quem?
Quem precisa de prestações de carro? Quem precisa passar um final de semana relâmpago em Buenos Aires por 12 parcelas de 99 reais? Quem precisa de uma cadeira Charles Eames? Quem precisa freqüentar bons restaurantes e beber bons vinhos?
Só queria minha vida de volta: café com leite no copo de requeijão, sessões esporádicas de masturbação debaixo do edredon, conversas rotineiras e despretensiosas com meus amigos, compartilhando de vossas vidas sem sentido e procurando, sem sucesso, algum sentido pra minha.
O trabalho definitivamente escraviza o homem. Eu era feliz e não sabia, não ganhava dinheiro algum, mas também não gastava! Hoje não passo de um escravo do dinheiro, um escravo do relógio, obrigado a acordar cedo, cagar pela manhã sem a mínima vontade de cagar, tomar banho com vontade de chorar e, em seguida, dividir um ônibus que, pela fisionomia das pessoas, mais parece uma ante-sala do inferno.
Sinto falta da época em que tinha tempo para escrever besteiras, sair com meus amigos sem nenhum dinheiro no bolso e voltar bêbado pra casa, acordar sem perspectiva de algo a que me dedicar pelo resto do dia, pensar sobre isso durante longos 3 segundos e, serenamente, sorrir!
Só queria minha vida de volta: café com leite no copo de requeijão, sessões esporádicas de masturbação debaixo do edredon, conversas rotineiras e despretensiosas com meus amigos, compartilhando de vossas vidas sem sentido e procurando, sem sucesso, algum sentido pra minha.
O trabalho definitivamente escraviza o homem. Eu era feliz e não sabia, não ganhava dinheiro algum, mas também não gastava! Hoje não passo de um escravo do dinheiro, um escravo do relógio, obrigado a acordar cedo, cagar pela manhã sem a mínima vontade de cagar, tomar banho com vontade de chorar e, em seguida, dividir um ônibus que, pela fisionomia das pessoas, mais parece uma ante-sala do inferno.
Sinto falta da época em que tinha tempo para escrever besteiras, sair com meus amigos sem nenhum dinheiro no bolso e voltar bêbado pra casa, acordar sem perspectiva de algo a que me dedicar pelo resto do dia, pensar sobre isso durante longos 3 segundos e, serenamente, sorrir!
segunda-feira, outubro 27
o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio
por Charles Bukowski
O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.
Por que há tão poucas pessoas interessantes? Milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? Parece que seu único ato é a Violência. São bons nisso. Realmente florescem. Flores de merda, emporcalhando nossas chances. O problema é que tenho que continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser dar a descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles mesmos me causem horror. E horror é uma gentileza.
Mas eles pisoteiam a minha consciência com seu fracasso em áreas vitais. Por exemplo, todos os dias, volto do hipódromo apertando o rádio em diferentes estações, procurando música, música decente. Tudo é ruim, insípido, sem vida, sem melodia, indiferente. Mesmo assim, algumas dessas composições são vendidas aos milhões e seus criadores se consideram verdadeiros Artistas. É horrível, uma idiotice terrível entrando em jovens cabeças. Eles gostam disso. Cristo, dê merda a eles, e eles comem. Não conseguem discernir? Não conseguem ouvir? Não sentem a diluição, o mofo?
Não posso acreditar que não haja nada. Continuo tentando novas rádios. Meu carro tem menos de um ano, mas a tinta preta do botão que aperto já está totalmente gasta. Agora o botão está branco, marfim, olhando pra mim.
Bem, é, existe a música clássica. Tenho que me acostumar com isso. Mas sei que ela vai sempre estar lá pra mim. Escuto isso de três a quatro horas por noite. Mas ainda continuo procurando outro tipo de música. Só que não existe. Deveria existir. Isso me perturba. Escamotearam toda uma outra área. Pense em todas as pessoas vivas que nunca ouviram música decente. Não se admira que seus rostos estejam caindo, não se admira que matem sem pensar, não se admira que esteja faltando coração.
Bem, o que é que eu posso fazer? Nada.
Os filmes são tão ruins quanto a música. Você ouve ou lê a crítica. Um grande filme, dizem. E daí saio para ver o tal filme. E sento lá me sentindo um grande idiota, me sentindo roubado, enganado. Posso adivinhar a próxima cena antes de acontecer. E os motivos óbvios dos personagens, o que os move, o que desejam, o que é importante para eles é tão infantil e patético, tão enfadonho e grosseiro. As partes românticas são irritantes, velhas, bobagens preciosistas.
Acho que a maioria das pessoas vê filmes demais. E, com certeza, os críticos. Quando dizem que um filme é ótimo, querem dizer que é ótimo em relação aos outros filmes que viram. Perderam a visão geral. São martelados com cada vez mais filmes novos. Simplesmente não sabem, estão perdidos no meio daquilo. Esqueceram o que é realmente ruim, que é a maior parte do que assistem.
E não vamos falar em televisão.
E como escritor... será que sou um? Bem. Como escritor, é difícil ler o que os outros escrevem. Não me bate. Para começar, não sabem como colocar uma linha, um parágrafo. Só de olhar o texto impresso a distância já parece chato. E quando você realmente lê, é pior que chato. Não tem ritmo. Não tem nada de emocionante ou novo. Não tem jogo, fogo, gás. O que estão fazendo? Parece ser trabalho pesado. Não se admira que a maioria dos escritores diga que escrever é doloroso. Eu entendo isso.
Algumas vezes com meu texto, quando não foi extraordinário, tentei outras coisas. Derramei vinho nas páginas, acendi um fósforo e queimei buracos nelas. “O que você está FAZENDO aí? Sinto cheiro de fumaça!”
“Tudo bem, querida, está tudo bem...”
Uma vez, meu cesto de lixo pegou fogo e o levei correndo para a varanda e derramei cerveja nele.
Para eu escrever, gosto de assistir a lutas de boxe, ver como o jab é usado, o direto de direira, o gancho de esquerda, o uppercut, o counter punch. Gosto de vê-los lutar, sair da tela. Existe algo a ser aprendido, algo a ser aplicado à arte de escrever, à maneira de escrever. Só sobram páginas, e você pode queimá-las, se quiser.
Música clássica, charutos, o computador faz o texto dançar, gritar, rir. O pesadelo da vida também ajuda.
Todos os dias, quando entro no hipódromo, sei que estou mandando minhas horas à merda. Mas ainda tenho a noite. O que os outros escritores fazem? Ficam na frente do espelho examinando os lóbulos da orelha? E então escrevem sobre eles. Ou sobre suas mães. Ou como salvar o mundo. Bem, podiam me poupar não escrevendo esse troço chato. Essa bobagem sem energia e murcha. Pare! Pare! Pare! Preciso ler alguma coisa. Será que não há nada para ler? Acho que não. Se você achar, me conte. Não, não faça isso. Eu sei: você escreveu. Esquece. Vai dar uma cagada.
Lembro de uma carta longa e furiosa que recebi um dia de um cara que me disse que eu não tinha o direito de dizer que não gostava de Shakespeare. Muitos jovens iam acreditar em mim e não se dariam ao trabalho de ler Shakespeare. Eu não tinha o direito de tomar essa posição. E assim por diante. Não respondi na época. Mas vou responder agora.
Vá se foder, colega. E eu não gosto também de Tolstói!
terça-feira, setembro 30
architecture as spectacle
From a place of socialization and facing differences, the contemporary cities turned into artificial spaces of a controlled public life, gigantic sceneries of architectural forms and publicity images who celebrate, with enthusiasm, the attribution of aesthetic value to the heterogeneous, the great importance of the appearance and the glorification of the symbolic in a sort of daily life’s dramatization. Understanding that architecture had direct and fundamental influence in the transformations that the world, and more specifically the cities, were subjected along the 20th Century, this work can be summarized as a short analysis of the architectural production as a social isolation, control and fragmentation planned spectacle, built with the intention of obstructing the communication, neutralizing the conflicts and leading human life to the logic of passivity and contemplation, of alienated production and consumption of goods and meaningless images. This analysis was carried out with the comprehension that the spectacle is not treated as a fundamentally contemporary phenomenon and that all architecture produced from modern movement’s vanguard up to postmodernism, besides not carrying out opposition – concerning to the “Architecture of the Spectacle” – complement themselves. This way, this work was built from a clear definition of The Concept of Spectacle, Chapter 2; followed by a concise and objective presentation of its intrinsic characteristics, pointing three different historical moments of the 20th Century’s architectural production, which are Architecture as Spectacle in Modern Movement, Chapter 3.1; In the totalitarian regimes, Chapter 3.2; and In Post-modernism, Chapter 3.3. Final Considerations and Bibliographical References can be found in Chapters 4 and 5.This summary in english is dedicated to my international fans!
LOL!
I thank Julia Maia for the translation!
LOL!
I thank Julia Maia for the translation!
sábado, setembro 27
arquitetura como espetáculo
De um lugar de convívio e enfrentamento das diferenças, as cidades contemporâneas foram transformadas em espaços artificiais de uma vida pública dirigida e encenada, gigantescos cenários de formas arquitetônicas e imagens publicitárias que celebram, com entusiasmo, a estetização do heterogêneo, a valorização da aparência e a glorificação do simbólico em uma espécie de teatralização da vida cotidiana. Fruto do entendimento de que a arquitetura tem direta e fundamental influência nas transformações pelas quais o mundo, e mais especificamente as cidades, foram submetidas ao longo do século XX, este trabalho pode ser resumido como uma breve análise da produção da arquitetura como um espetáculo programado de isolamento, controle e fragmentação sociais, construído com o intuito de impedir a comunicação, neutralizar os conflitos e direcionar toda a vida humana à lógica da passividade e da contemplação, da produção e do consumo alienados de mercadorias e imagens esvaziadas de significado. Esta análise foi realizada a partir da consciência de que o espetáculo não se trata de um fenômeno fundamentalmente contemporâneo e que, guardadas as devidas proporções, toda a arquitetura produzida desde as vanguardas do movimento moderno até o pós-modernismo mais caricato e historicista, além de não realizar oposição uma à outra – no que diz respeito à produção da Arquitetura como Espetáculo – se complementa. Desse modo, o trabalho foi construído a partir de uma clara definição de O Conceito de Espetáculo, Capítulo 2; para que em seguida fossem apresentadas, de forma concisa e objetiva, as características intrínsecas ao espetáculo em três momentos históricos distintos da produção arquitetônica do século XX, ou seja, a Arquitetura como Espetáculo No movimento moderno, Capítulo 3.1; Nos regimes totalitários, Capítulo 3.2; e No pós-modernismo, Capítulo 3.3. Nos Capítulos 4 e 5, respectivamente, foram dispostas as Considerações Finais e as Referências Bibliográficas.Resumo da minha Dissertação de Mestrado. Enfim, consegui parir a criança!
quarta-feira, setembro 24
cabelito investment bank & co
Devido à falência de alguns dos maiores bancos de investimento do mundo e a confirmação de que economistas não sabem nada de economia, resolvi fundar a Cabelito Investment Bank & Co.
Também não entendo porra nenhuma de economia, mas como entendo um pouquinho mais de Brasil do que o Lehman Brothers, Merrill Lynch, AIG, etc... Resolvi assumir a função de indicador econômico do RISCO BRASIL!
Durante minha reflexão-vaso-sanitarista-matinal avaliei que o risco Brasil está em torno de 212 pontos. Não vejo motivo para pânico, nossa economia está fortalecida, tivemos um superávit primário de mais de 18 bilhões de dólares nas primeiras 3 semanas do mês de setembro, valor 12% inferior ao mesmo período do ano passado, mas nada que não seja absolutamente contornável no mês de outubro, afinal, dia 12 é dia das crianças e o comércio certamente será re-aquecido pela venda de barbies, legos, e outras bugigangas desse tipo!
Vale ressaltar que as ações da Companhia Moita 3D Ltda se apresenta como um excelente investimento a curto, médio e longo prazo e, obviamente, não estou recebendo ($) nada pela indicação, muito menos sou parente de algum sócio dessa empresa!
Sem mais para o momento,
Cabelito
Presidente da Cabelito Investment Bank & Co
Também não entendo porra nenhuma de economia, mas como entendo um pouquinho mais de Brasil do que o Lehman Brothers, Merrill Lynch, AIG, etc... Resolvi assumir a função de indicador econômico do RISCO BRASIL!
Durante minha reflexão-vaso-sanitarista-matinal avaliei que o risco Brasil está em torno de 212 pontos. Não vejo motivo para pânico, nossa economia está fortalecida, tivemos um superávit primário de mais de 18 bilhões de dólares nas primeiras 3 semanas do mês de setembro, valor 12% inferior ao mesmo período do ano passado, mas nada que não seja absolutamente contornável no mês de outubro, afinal, dia 12 é dia das crianças e o comércio certamente será re-aquecido pela venda de barbies, legos, e outras bugigangas desse tipo!
Vale ressaltar que as ações da Companhia Moita 3D Ltda se apresenta como um excelente investimento a curto, médio e longo prazo e, obviamente, não estou recebendo ($) nada pela indicação, muito menos sou parente de algum sócio dessa empresa!
Sem mais para o momento,
Cabelito
Presidente da Cabelito Investment Bank & Co
quinta-feira, julho 31
de licença
Acabo de tirar uma licença... Uma licença remunerada de minha vida dedicada ao ócio criativo e aos prazeres mundanos! Infelizmente, fraquejei... Resisti o quanto pude, mas sucumbi diante a constante pressão exercida por essa sociedade obcecada pelo trabalho, pela novela das oito e pelas mulheres com nome de fruta!Não “deixo (ess)a vida para entrar na história”, como o gorducho do Getúlio Vargas, mas deixo-a como os judeus hospedados em Auschwitz... Convicto de que “o trabalho liberta”!
sexta-feira, julho 4
lei seca
Não bastasse terem criado o vírus da AIDS para impedir que copulássemos livremente e sodomizássemos uns aos outro sempre que nos fosse conveniente, implementaram agora no Brasil uma lei de tolerância zero à combinação álcool e direção, ou seja, quem tiver ingerido uma gota de álcool sequer, terá seu carro apreendido, sua habilitação suspensa por 1 ano e receberá uma multa de R$ 950,00. Quem tiver bebido um pouco além da conta (isso mesmo, daquele jeito que você volta dirigindo toda sexta-feira pra casa) ainda terá o privilégio de conhecer de pertinho, em seu íntimo, o sensacional sistema prisional brasileiro!
Obviamente não sou um louco a fazer apologia à "dobradinha" bebida e direção, mas fico surpreso com a quantidade de “caras de pau”, comportando-se como santos, e declarando total apoio a lei. Todo mundo sabe que existem dois tipos de motoristas, os que bebem e os que não bebem, os que bebem, ao beber, não deixam de dirigir! E os que não bebem, não bebem, logo, não dirigem bêbados, dirigem somente sob o efeito de maconha, cocaína, ecstasy, chá de cogumelo, chá de fita, LSD, lança perfume, raxixe, enfim, qualquer merda que dê onda e não seja detectado pelo bafômetro (quem curte uma onda de bombom de licor, melhor partir pra outra! Ah, e trocar o bombom por Listerine é furada)! É verdade que muitas pessoas não bebem e não usam drogas de tipo algum, estejam elas dirigindo ou não, mas se eu fosse você, e se uma pessoa com essas características fosse meu candidato a genro ou algo parecido, eu ficaria desconfiado, mandaria investigar o rapaz...
Mas vamos ao que interessa. Ouvi o relato de um amigo, que depois de sair de casa para um bar e voltar dirigindo sem ingerir uma gota de álcool (o que não fazia há tempos), pôde perceber como o Rio de Janeiro anda carente de ordem: flanelinhas extorquindo dinheiro nas calçadas, mulheres de "vida fácil" vendendo sexo nas esquinas, crianças vendendo balas em mesas de bar, policiais corruptos sendo subornados por cidadãos corruptores... Passado o martírio de um retorno sóbrio para casa, apavorado e transtornado com a bizarra realidade que o álcool e direção impediam-no de enxergar, começou a perceber que a sua vida fazia menos sentido do que todos os nomes esquisitos das Igrejas Evangélicas que se proliferam pela cidade, lidos em seqüência e ininterruptamente...
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação para Cristo Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará Bola de Neve Church Igreja Caverna de Adulão Igreja Evangélica Abominação à Vida Torta Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade Igreja Cristo é Show!
Teve uma crise de choro. Lembrou que a bebida alcoólica também estava proibida nos estádios de futebol, e sem o álcool, aquela derrota nos pênaltis na final da Libertadores havia sido ainda mais amarga. Foi então que, consumido pela raiva, destruiu a pontapés todo o seu móvel de cozinha Bartira, comprado em 24 vezes sem juros nas Casas Bahia e, por fim, “sentou” a mão na cara da pobre da Roseli, sua empregada estrábica e reumática. Vida de merda que o álcool e a direção o impediram por longos anos de enxergar, mas que estava convicto, não iria permitir que continuasse. Como o insano japonês em Tóquio, estava decidido a atropelar todo e qualquer filho da puta que passasse na sua frente, em seguida, esfaquearia aqueles que insistissem em permanecer de pé e, por final, cometeria um harakiri!
Mas por acreditar que teria em mim um comparsa para a sua carnificina, me confidenciou suas intenções e, felizmente, consegui persuadi-lo a desistir de tamanha insanidade. Agora, juntos, faremos algo ainda mais grandioso! Tal qual Alphonse Capone durante a Lei Seca norte-americana, ficaremos ricos, mas obviamente, fazendo tudo dentro da lei. Lançaremos em agosto, em parceria com a Apple, o nosso personal bafômetro (já devidamente patenteado) que, entre outras coisas, funcionará como celular, terá acesso a internet e um GPS de última geração que localiza todas as blitz da polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária, além das blitz das Milícias e das organizações criminosas do 3º Comando, do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos em um raio de 400 quilômetros!
p.s. O menor dos problemas é a lei, difícil é aturar mais e mais hipocrisia!
Obviamente não sou um louco a fazer apologia à "dobradinha" bebida e direção, mas fico surpreso com a quantidade de “caras de pau”, comportando-se como santos, e declarando total apoio a lei. Todo mundo sabe que existem dois tipos de motoristas, os que bebem e os que não bebem, os que bebem, ao beber, não deixam de dirigir! E os que não bebem, não bebem, logo, não dirigem bêbados, dirigem somente sob o efeito de maconha, cocaína, ecstasy, chá de cogumelo, chá de fita, LSD, lança perfume, raxixe, enfim, qualquer merda que dê onda e não seja detectado pelo bafômetro (quem curte uma onda de bombom de licor, melhor partir pra outra! Ah, e trocar o bombom por Listerine é furada)! É verdade que muitas pessoas não bebem e não usam drogas de tipo algum, estejam elas dirigindo ou não, mas se eu fosse você, e se uma pessoa com essas características fosse meu candidato a genro ou algo parecido, eu ficaria desconfiado, mandaria investigar o rapaz...
Mas vamos ao que interessa. Ouvi o relato de um amigo, que depois de sair de casa para um bar e voltar dirigindo sem ingerir uma gota de álcool (o que não fazia há tempos), pôde perceber como o Rio de Janeiro anda carente de ordem: flanelinhas extorquindo dinheiro nas calçadas, mulheres de "vida fácil" vendendo sexo nas esquinas, crianças vendendo balas em mesas de bar, policiais corruptos sendo subornados por cidadãos corruptores... Passado o martírio de um retorno sóbrio para casa, apavorado e transtornado com a bizarra realidade que o álcool e direção impediam-no de enxergar, começou a perceber que a sua vida fazia menos sentido do que todos os nomes esquisitos das Igrejas Evangélicas que se proliferam pela cidade, lidos em seqüência e ininterruptamente...
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação para Cristo Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará Bola de Neve Church Igreja Caverna de Adulão Igreja Evangélica Abominação à Vida Torta Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade Igreja Cristo é Show!
Teve uma crise de choro. Lembrou que a bebida alcoólica também estava proibida nos estádios de futebol, e sem o álcool, aquela derrota nos pênaltis na final da Libertadores havia sido ainda mais amarga. Foi então que, consumido pela raiva, destruiu a pontapés todo o seu móvel de cozinha Bartira, comprado em 24 vezes sem juros nas Casas Bahia e, por fim, “sentou” a mão na cara da pobre da Roseli, sua empregada estrábica e reumática. Vida de merda que o álcool e a direção o impediram por longos anos de enxergar, mas que estava convicto, não iria permitir que continuasse. Como o insano japonês em Tóquio, estava decidido a atropelar todo e qualquer filho da puta que passasse na sua frente, em seguida, esfaquearia aqueles que insistissem em permanecer de pé e, por final, cometeria um harakiri!
Mas por acreditar que teria em mim um comparsa para a sua carnificina, me confidenciou suas intenções e, felizmente, consegui persuadi-lo a desistir de tamanha insanidade. Agora, juntos, faremos algo ainda mais grandioso! Tal qual Alphonse Capone durante a Lei Seca norte-americana, ficaremos ricos, mas obviamente, fazendo tudo dentro da lei. Lançaremos em agosto, em parceria com a Apple, o nosso personal bafômetro (já devidamente patenteado) que, entre outras coisas, funcionará como celular, terá acesso a internet e um GPS de última geração que localiza todas as blitz da polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária, além das blitz das Milícias e das organizações criminosas do 3º Comando, do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos em um raio de 400 quilômetros!
p.s. O menor dos problemas é a lei, difícil é aturar mais e mais hipocrisia!
quinta-feira, junho 5
questão de tempo
Ela o fazia acreditar que ninguém poderia ser mais perfeito, jurava nunca ter sentido nada parecido [seu corpo ao menos denunciava que ninguém jamais havia lhe chupado daquela maneira!]. Não conseguia acreditar em tudo aquilo que estava acontecendo, e por conta disso, trazia consigo a insegurança característica dos que têm muito a perder [ligava pro celular dele de 2 em 2 horas, diuturnamente, e não entendia sua opção por jogar bola, beber cerveja e comer churrasco toda quarta-feira ao invés de desfrutar de sua companhia!]. Ela acreditava, piamente, estar construindo um relacionamento sólido e duradouro [ignorava por completo a existência do sociólogo polonês Zygmunt Bauman e sua tese sobre a liquidez das relações contemporâneas!], e oferecia-lhe seu amor de forma sincera e incondicional, desejando apenas que ele o correspondesse [através do cumprimento régio de algumas regras básicas previamente estabelecidas por ela... falar a todo o momento que ela é linda e que ele a ama, acompanhá-la em sua maratona semanal ao shopping sem tirar o sorriso do rosto, nunca esquecer de reparar (e elogiar) seus cortes rotineiros de ½ centímetro de cabelo, entre outras exigências igualmente estapafúrdias!]. A insegurança e a juventude ainda impediam-lhe de reconhecer as pequenas sutilezas masculinas utilizadas para expressar seus sentimentos mais ternos [surra de pau mole, duas sem tirar de dentro, cabeçada no céu da boca!], assim como compreender as artimanhas necessárias para se construir uma consistente relação a dois [TV a cabo, surdez congênita, hora extra, rivotril, memória seletiva, etc, etc, etc!]. Nada que o tempo não a ensinasse!
terça-feira, maio 6
o jogo do contente
Todo dia ele fazia a mesma coisa. Acordava pontualmente às 7:00. Tomava banho de porta aberta e sempre se esquecia de pegar a toalha. Um café rápido, ninguém pra se despedir e já estava fora de casa. No caminho, como que inconscientemente, tentava se convencer de que gostava daquilo. Tentava acreditar que era importante e que no fundo era um cara feliz. O resto da manhã transcorreu sem sobressaltos. Ao meio-dia no restaurante a quilo sentou-se no lugar de sempre, foi atendido pelo garçom de sempre e saudado com a mesma pergunta de todos os dias. “Coca com gelo e limão?” Nos últimos 2 anos almoçou no mesmo restaurante, sentado no mesmo lugar, e sempre dava a mesma resposta. “Sem limão, por favor.” Por dentro tinha vontade de dar uma garrafada no filho da puta do garçom, mas sempre o respondia, no mesmo e plácido tom de voz. Durante o almoço, tentava se convencer de que a comida do restaurante a quilo em que comia todos os dias tinha certa qualidade, e que era um cara privilegiado por poder se dar ao luxo de freqüentar um restaurante, afinal, quantas pessoas que passam fome não fariam de tudo para estar em seu lugar repetindo diariamente a mesma frase: “Sem limão, por favor.”? O resto da tarde também transcorreu sem alvoroço. Terminado o expediente, todos permaneceram no escritório, torcendo para que alguém tivesse a coragem de voltar pra casa primeiro, afinal, o patrão não via com bons olhos o funcionário que cumpria pontualmente o seu horário. Demonstrar obsessão pelo trabalho e disponibilidade em fazer horas extras não-remuneradas era característica essencial de um funcionário padrão. Mas ele tentava se convencer de que àquelas horas extras seriam muito importantes pra sua carreira e ascensão profissional. Estava confiante que mais cedo ou mais tarde seu patrão reconheceria sua dedicação e não mais confundiria seu primeiro nome, afinal, só estava na empresa há 5 anos, ainda não dera tempo do patrão guardar um nome tão incomum como o seu: João. Finalmente, estava de volta ao lar. Comida congelada no microondas, futebol na televisão e ninguém pra conversar, contar sobre seu dia excitante ou ouvir reclamações. Mas ele não se abalava com a solidão, tentava pensar que amanhã seria outro dia e que deveria agradecer por estar vivo e com saúde, por ter um teto onde se abrigar e onde abrigar um freezer cheio de comida congelada. Insistia em acreditar que era um cara feliz, com um bom emprego, um excelente combo de TV por assinatura + internet banda larga e toda uma vida de alegrias pela frente.
segunda-feira, abril 28
o mais importante é o mais oculto
Tem tempo que eu não escrevo nada que preste aqui [como se alguma vez tivesse escrito algo que prestasse], mas é aquilo, falta de tempo, muito trabalho e muito dinheiro no bolso... Resultado? Quando não estou trabalhando estou gastando com bebidas, drogas e mulheres! Mas é aquilo, sempre acontece algo de novo para me tirar dessa difícil rotina!
Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo a garimpar notícias sobre educação, economia, política e saúde pela internet, infelizmente, as dificuldades encontradas são enormes. Os meios de comunicação, 100% dedicados ao caso Isabella Nardoni, esqueceram do flamengo [a letra minúscula é proposital], da dança do créu, da mulher melancia, e por mais incrível que possa parecer, esqueceram até do mosquito da dengue! Imaginem se alguém se lembraria de fazer uma matéria sobre o cancelamento do aumento das bolsas de mestrado e doutorado, aumento esse anunciado pelo governo e revogado em virtude da não-aprovação da CPMF! Imaginem! Claro que não lembrariam! Nossos jornalistas têm tarefas mais importantes a fazer, como...
Entrevistar psiquiatras que traçaram o perfil psicológico do “adevogado” e desconhecedor da gramática da língua portuguesa [mais precisamente do capítulo que trata da concordância verbal], o Dr. Alexandre Nardoni, assim como... Entrevistar velhinhas insanas que viajaram 400 quilômetros para juntamente com um exército de jornalistas e cidadãos desocupados fazer guarda, em turnos coletivos de 24 horas, em frente ao 9º Distrito Policial do Carandiru, como se esperassem do delegado, devoto de São Cosme e São Damião, a distribuição de centenas de doces em saquinhos!
Como diria um velho amigo meu: “O espetáculo organiza com habilidade a ignorância do que acontece e, logo a seguir, o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. O mais importante é o mais oculto."
p.s. Como eu queria morar ao lado do 9º Distrito Policial do Carandiru, só pra ter o prazer de arremessar ovo podre e porrolho [aquela maçaroca de papel higiênico molhado] em toda essa gente de curiosidade mórbida. A parte ruim seria morar em São Paulo, e relativamente perto da Lívia Maria.
Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo a garimpar notícias sobre educação, economia, política e saúde pela internet, infelizmente, as dificuldades encontradas são enormes. Os meios de comunicação, 100% dedicados ao caso Isabella Nardoni, esqueceram do flamengo [a letra minúscula é proposital], da dança do créu, da mulher melancia, e por mais incrível que possa parecer, esqueceram até do mosquito da dengue! Imaginem se alguém se lembraria de fazer uma matéria sobre o cancelamento do aumento das bolsas de mestrado e doutorado, aumento esse anunciado pelo governo e revogado em virtude da não-aprovação da CPMF! Imaginem! Claro que não lembrariam! Nossos jornalistas têm tarefas mais importantes a fazer, como...
Entrevistar psiquiatras que traçaram o perfil psicológico do “adevogado” e desconhecedor da gramática da língua portuguesa [mais precisamente do capítulo que trata da concordância verbal], o Dr. Alexandre Nardoni, assim como... Entrevistar velhinhas insanas que viajaram 400 quilômetros para juntamente com um exército de jornalistas e cidadãos desocupados fazer guarda, em turnos coletivos de 24 horas, em frente ao 9º Distrito Policial do Carandiru, como se esperassem do delegado, devoto de São Cosme e São Damião, a distribuição de centenas de doces em saquinhos!
Como diria um velho amigo meu: “O espetáculo organiza com habilidade a ignorância do que acontece e, logo a seguir, o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. O mais importante é o mais oculto."
p.s. Como eu queria morar ao lado do 9º Distrito Policial do Carandiru, só pra ter o prazer de arremessar ovo podre e porrolho [aquela maçaroca de papel higiênico molhado] em toda essa gente de curiosidade mórbida. A parte ruim seria morar em São Paulo, e relativamente perto da Lívia Maria.
quinta-feira, abril 3
imposturas intelectuais
O Orkut não é só cultura inútil e canal cibernético de invasão e contemplação da intimidade alheia, às vezes nos apresenta algo de interessante. A última pérola foi a comunidade Imposturas Intelectuais, homenagem ao livro homônimo dos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont.
Impossível não ter a curiosidade despertada pela descrição da comunidade! Ainda não adquiri o livro, mas recomendo, deve ser no mínimo engraçado!
Descrição da comunidade:
"Se você não compreende de jeito nenhum textos como:
Podemos ver claramente que não há nenhuma correspondência biunívoca entre relações significantes lineares ou de arquiestrutura, dependendo do autor, e essa catálise maquínica multirreferencial e multidimensional.
Não se preocupe nem se ache um imbecil. Ninguém entende, embora alguns façam de conta. Citações como esta, do psicanalista Félix Guattari, que são nada mais que um amontoado de palavras rebuscadas, cheio de jargões científicos, pseudocientíficos e filosóficos, foram desmontadas, e seus autores desmascarados pelos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont em seu livro Imposturas Intelectuais."
Agora que me inspirei em Guattari, deixa eu voltar pra minha Dissertação de Mestrado!
Impossível não ter a curiosidade despertada pela descrição da comunidade! Ainda não adquiri o livro, mas recomendo, deve ser no mínimo engraçado!
Descrição da comunidade:
"Se você não compreende de jeito nenhum textos como:
Podemos ver claramente que não há nenhuma correspondência biunívoca entre relações significantes lineares ou de arquiestrutura, dependendo do autor, e essa catálise maquínica multirreferencial e multidimensional.
Não se preocupe nem se ache um imbecil. Ninguém entende, embora alguns façam de conta. Citações como esta, do psicanalista Félix Guattari, que são nada mais que um amontoado de palavras rebuscadas, cheio de jargões científicos, pseudocientíficos e filosóficos, foram desmontadas, e seus autores desmascarados pelos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont em seu livro Imposturas Intelectuais."
Agora que me inspirei em Guattari, deixa eu voltar pra minha Dissertação de Mestrado!
terça-feira, março 11
apologia à preguiça
“Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos.”
Lessing
"Contemplai o crescimento dos lírios dos campos, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos, Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu com maior brilho."
Jesus cristo
“Os filósofos da antiguidade ensinavam o desprezo pelo trabalho, essa degradação do homem livre; os poetas cantavam a preguiça, esse presente dos deuses.”
Paul Lafargue
“É necessário estar sempre bêbedo. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e voz faz pender para a terra, é preciso que vos embriaguez sem cessar.
Mas – de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contando que vos embriaguez.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão de vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhe que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
- É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”
Baudelaire
Embriagai-vos... Porque trabalhar dá muito trabalho!
quarta-feira, março 5
planos de um novo rico
Essa rotina de escassez monetária e, conseqüentemente, precária diversão, fez com que eu topasse o desafio de encarar um concurso público, logicamente, com o único intuito de enriquecer licitamente por meio de pouco ou quase nenhum esforço. O concurso é para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, cargo de Analista de Infra-Estrutura na área de transporte rodoviário e urbano, ou seja, serei uma espécie de semáforo-humano com salário inicial de R$ 5.406,44. Disse que serei pois estou convicto de minha aprovação, e diante te tamanha convicção comecei a pensar em formas de gastar meu futuro salário, na verdade, minha futura pequena fortuna, pois para a triste realidade de um arquiteto e urbanista recém formado, essa remuneração é exorbitante!
Após algumas horas de reflexão concluí que meu primeiro gasto será com o aluguel de um carro de bombeiro, desfilarei pela cidade comemorando minha vitória, nada mais justo após ter assinado um certificado de vencedor e cidadão padrão aos olhos de nossa sociedade. Em seguida comprarei um neto para a minha mãe. Ela quer um neto, eu não quero ter um filho [se ainda precisasse de ajuda para arar um pedaço de terra, plantar mandioca ou tocar um rebanho de ovelhas, lhe daria uns 13 netos], mas agora que sou rico, é só comprar um, ou quem sabe dois.
Jogarei todas as minhas roupas fora, principalmente as camisas de Encontros de Arquitetura, a partir de agora, só usarei roupas de estilistas famosos. Também não mais andarei em companhia de amigos pobres, ou seja, todos os amigos que tenho, mas também não ficarei “órfão”, alugarei ou comprarei alguns novos. Por fim, bancarei a gravação do 1º CD dos Skrotes Boys of the Catland [banda formada por parte dos já citados amigos pobres], tenho certeza que assim perceberão vossa total falta de talento musical, me poupando de futuros convites para seus ensaios bizarros e suas sazonais apresentações em festinhas com não mais que 23 convidados...
É... Tão bom fazer planos de gastos futuros!
Após algumas horas de reflexão concluí que meu primeiro gasto será com o aluguel de um carro de bombeiro, desfilarei pela cidade comemorando minha vitória, nada mais justo após ter assinado um certificado de vencedor e cidadão padrão aos olhos de nossa sociedade. Em seguida comprarei um neto para a minha mãe. Ela quer um neto, eu não quero ter um filho [se ainda precisasse de ajuda para arar um pedaço de terra, plantar mandioca ou tocar um rebanho de ovelhas, lhe daria uns 13 netos], mas agora que sou rico, é só comprar um, ou quem sabe dois.
Jogarei todas as minhas roupas fora, principalmente as camisas de Encontros de Arquitetura, a partir de agora, só usarei roupas de estilistas famosos. Também não mais andarei em companhia de amigos pobres, ou seja, todos os amigos que tenho, mas também não ficarei “órfão”, alugarei ou comprarei alguns novos. Por fim, bancarei a gravação do 1º CD dos Skrotes Boys of the Catland [banda formada por parte dos já citados amigos pobres], tenho certeza que assim perceberão vossa total falta de talento musical, me poupando de futuros convites para seus ensaios bizarros e suas sazonais apresentações em festinhas com não mais que 23 convidados...
É... Tão bom fazer planos de gastos futuros!
terça-feira, março 4
sobre pessoas e bukowski
Estava lendo um texto do Bukowski onde ele fala de pessoas que passam pela vida com pouca angústia, pessoas que dormem bem, que são contentes com a família, pessoas imperturbáveis, e que ao morrerem, têm uma morte serena, normalmente durante o sono. Ele insiste que pessoas assim existem. Declara não ser uma delas, que está longe de ser uma delas, mas que elas estão lá, e ele está aqui.
Eventualmente invejo pessoas assim... Dormir oito horas por dia, acordar disposto, perceber uma mulher feliz e carinhosa no outro lado da cama, quem sabe até “dar uma” antes do trabalho. Café da manhã com as crianças, deixá-las no colégio, seguir pro escritório. Reuniões, cafezinhos, almoço em um bom restaurante, gráficos, planilhas, voltar pra casa. Banho quente, jantar em família, novela das oito. Total serenidade até as próximas horas de um sono profundo, onde tudo recomeça, e só termina com a chegada de uma morte tranqüila, em um dia qualquer, provavelmente durante um sonho.
Constantemente invejo o Bukowski... Vagabundo imprestável, proletário e bêbado. Vida familiar invariavelmente conturbada. Apaixonado por corridas de cavalos, mulheres e música clássica. Largou a faculdade de jornalismo e freqüentou todos os piores empregos que pôde. Entre um porre e outro escreveu romances, contos e poesias. Sem pudores e de forma crua escreveu histórias profundas, sobre pessoas e temas só aparentemente banais. Foi um homem angustiado, solitário, dono de uma sensibilidade peculiar. Morreu de leucemia, mas podia ter sido de cirrose hepática. Em seu túmulo, pediu que escrevessem: Don´t Try.
Eventualmente invejo pessoas assim... Dormir oito horas por dia, acordar disposto, perceber uma mulher feliz e carinhosa no outro lado da cama, quem sabe até “dar uma” antes do trabalho. Café da manhã com as crianças, deixá-las no colégio, seguir pro escritório. Reuniões, cafezinhos, almoço em um bom restaurante, gráficos, planilhas, voltar pra casa. Banho quente, jantar em família, novela das oito. Total serenidade até as próximas horas de um sono profundo, onde tudo recomeça, e só termina com a chegada de uma morte tranqüila, em um dia qualquer, provavelmente durante um sonho.
Constantemente invejo o Bukowski... Vagabundo imprestável, proletário e bêbado. Vida familiar invariavelmente conturbada. Apaixonado por corridas de cavalos, mulheres e música clássica. Largou a faculdade de jornalismo e freqüentou todos os piores empregos que pôde. Entre um porre e outro escreveu romances, contos e poesias. Sem pudores e de forma crua escreveu histórias profundas, sobre pessoas e temas só aparentemente banais. Foi um homem angustiado, solitário, dono de uma sensibilidade peculiar. Morreu de leucemia, mas podia ter sido de cirrose hepática. Em seu túmulo, pediu que escrevessem: Don´t Try.
quinta-feira, fevereiro 28
quinta-feira, fevereiro 21
sobre perdas
Não faz muito tempo ouvi minha mãe dizer que já fui uma pessoa menos amarga. Escutei palavras parecidas de alguns amigos próximos que leram meus textos. Mas só me sinto mais velho, mais crítico. E menos crédulo, menos inocente. É difícil não perder a inocência quando se percebe que perdas são inevitáveis. Aprendi cedo a lidar com certo tipo de perda, aprendi cedo a lidar com a morte. Hoje até consigo enxergar beleza na morte, e lido melhor com ela do que com certas perdas do dia-a-dia: as amizades que se perdem pela distância, os amores eternos que não resistem ao tempo e as diferenças, a esperança de mudar o mundo que se transforma no simples desejo de comprá-lo... A morte não, ela é inexorável, natural, e sim, dona de uma beleza peculiar, existe candura na dor de quem perde alguém pra morte, já as pequenas perdas, essas são desprovidas de beleza, e suas dores são dores impregnadas de amargura.
quarta-feira, fevereiro 20
amenidades da vida cotidiana
Tava aqui tentando ocupar meus pensamentos com qualquer coisa desimportante. Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo ocioso a refletir sobre inutilidades: futebol, carnaval, poesia, dissertação de mestrado, trabalho, etc. Acho que deveria dedicar mais tempo aos meus filhos. Eu não tenho filhos, mas se tivesse dedicaria mais tempo a eles!
Será que as pessoas têm filhos justamente pra terem algo importante a que se dedicarem? Nunca olhei por essa óptica, mas ter filhos é uma saída interessante pra dar significado a uma existência, digamos... pouco interessante.
Quem tem filho não tem tempo de dormir, muito menos de pensar amenidades. Quem tem filho trabalha, limpa bunda suja de cocô e faz mamadeira. Depois leva pra escola, trabalha ainda mais pra pagar a escola e tenta convencer o moleque de que ele deve torcer pro mesmo time que você. Quem tem filho não tem carnaval e nem lê poesia, somente livro infantil e bula de remédio pra cólica. Quem tem filho não escreve dissertação de mestrado e nem tem tempo de reclamar do trabalho. Enfim, quem tem filho não tem tempo de pensar o quanto sua existência é, digamos... pouco interessante.
Será que eu deveria ter filhos?
Será que as pessoas têm filhos justamente pra terem algo importante a que se dedicarem? Nunca olhei por essa óptica, mas ter filhos é uma saída interessante pra dar significado a uma existência, digamos... pouco interessante.
Quem tem filho não tem tempo de dormir, muito menos de pensar amenidades. Quem tem filho trabalha, limpa bunda suja de cocô e faz mamadeira. Depois leva pra escola, trabalha ainda mais pra pagar a escola e tenta convencer o moleque de que ele deve torcer pro mesmo time que você. Quem tem filho não tem carnaval e nem lê poesia, somente livro infantil e bula de remédio pra cólica. Quem tem filho não escreve dissertação de mestrado e nem tem tempo de reclamar do trabalho. Enfim, quem tem filho não tem tempo de pensar o quanto sua existência é, digamos... pouco interessante.
Será que eu deveria ter filhos?
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